terça-feira, 7 de novembro de 2017

O começo do fim

A grade separava nossos corpos.
Foi assim o último abraço nosso que me lembro.
Por cima de um portão baixinho. Já era noite. Você tava animado.
Chegou sorrindo. Me contando detalhes da última aventura.
Nem parecia que havíamos passado os dois últimos dias juntos.

Conversamos uns 15 minutos. ali no escuro mesmo.
Eu do lado de dentro do portão e você do lado de fora. Era coisa rápida.
Nos abraçamos e nos despedimos umas 3x.
Mas acabávamos atando a falar novamente.
E o papo reascendia.

Seu sorriso lindo brilhava mesmo na penumbra. Você precisava ir. 
Já era tarde. Ali por cima da grade se esticou (sem grande dificuldade).
E envolveu meu corpo com seus braços. Me abraçou forte.
Instantes depois nossas respirações entraram em uma incrível sincronia.

Queria ficar no seu abraço para sempre!

E quase que como quem conta um segredo te disse no pé do ouvido:
"odeio quando vai embora". Você então afundou seu rosto no meu pescoço.
Apertou ainda mais o abraço (como se fosse possível).
E disse baixinho: "mas eu sempre volto, né!?".

Éramos um só. E ainda dois.
Te beijei o rosto. Você bagunçou meu cabelo. Saiu rindo alto.
Fazendo piada, como de costume. Entrou no carro.
Queria sair pelo portão e te fazer ficar.
E com a mão para fora da janela foi embora acenando.

Só que nunca mais voltou.

Nosso adeus começou nesse dia. Terminou naquele abraço.

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quarta-feira, 10 de maio de 2017

E você

Eu já escrevi seu nome ao lado do meu tantas vezes. E você nem soube.
Te imaginei na minha vida para sempre. Mas você partiu e sequer olhou para trás.

Te observei em silêncio para gravar cada detalhe na memória,
e você nem notou como meus olhos brilhavam ao te ver.

Eu chorei todas as noites desde o nosso último encontro. Não entendi, não aceitei.
e você nem sonhou com isso, não se arrependeu. Foi fácil demais.

Eu te amei de uma forma alucinada.
Mudei, me reinventei, me desconstrui, para então me reconstruir.
E então dar certo com cada encaixe seu. E você nem se importou.

Era você e eu,
não tinha nós,
nem voz

e fim!

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terça-feira, 4 de abril de 2017

Te amar

Te amar foi tão fácil,
olhando em seus olhos castanhos eu era capaz de esquecer o resto do mundo.
Seu toque sutil arrepiava meu corpo. Seu abraço me aqueceu.
Me segurou quando o mundo me fez fraca e quis me derrubar.
Você se fez base, pilastra, sustentação e manteve minha
estrutura fragilizada em pé, em meio ao caos.

Te amar foi tão fácil,
quando da noite para o dia, meu mundo viro de pernas para o ar.
Perdi o rumo, o foco, perdi a mim. Mas a cada dia, a cada palavra de apoio
você me ajudou a achar um caminho novo. Se fez recomeço, me fez descobrir
tantas coisas sobre o mundo, tantas coisas sobre mim.

Te amar foi tão fácil,
mas você só esqueceu de me ensinar a viver sem você.
Um dia você cresceu, virou a página, a escapou por entre meus dedos.
Quanto mais força eu fazia para te segurar, mais rápido você escorria pelo vão
dos meus dedo, como areia fina.

Te amar foi tão fácil,
te amar se tornou a coisa mais difícil!

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quinta-feira, 9 de março de 2017

a.i.n.d.a.

Ainda me pego olhando nossas fotos. São tantas.
Você não curtia muito tirar foto, na maioria delas você tá com sua cara tímida.
Mas você sabia do meu gosto pela fotografia, e entrava na minha piração comigo,
entre nossas brincadeiras registrei tantos momentos nossos, tantos sorrisos seus.

Você me fez sorrir quando mundo só me fazia chorar.

Ainda me pego lembrando de todas as coisas que tanto conversamos ao longo dos anos,
caramba, não tinha um assunto sequer, sobre o qual não podíamos falar horas a fio.
Na maioria dos momentos estávamos conversado atrás de uma tela. E quantas vezes eu
chorei lendo suas palavras. Quantas vezes você foi minha única companhia no mundo.

Você ficou quando todos pareciam ter partido.

Ainda tento entender. Em que momento nos tornamos tão diferentes? Em que passo mudamos
nossas direções, e porque cada um seguiu um rumo? Não foi de uma vez, foi pouco a pouco,
semana a semana, ano após ano. E hoje mal nos reconhecemos.

É difícil sem você aqui.

Ainda não sei, não entendo, não quero.
Mas o amor, é o velho amor, ainda e sempre!

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terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

Devaneios

Estou há horas olhando essa folha branca. O cursor piscar.
A cabeça martelando. Um milhão de pensamentos.
Simultâneos. Embolados. Se atropelando.

Queria com as duas mãos, agarrar esse emaranhado confuso e
frenético da minha cabeça, e joga-ló nesse espaço em branco.
Desembaralhar. Interpretar. Entender cada pensamento louco. Borbulhante.

Encontrar as respostas para todas as milhares de perguntas.
Solução para cada um dos problemas.
Mas. O que me resta é mais um noite clara. solitária.
Pensamentos loucos, sentimentos tortos.

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segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

Acontece

Segue teu caminho. Tua luz. Tua felicidade
Chega de te prender aqui dentro de mim.

Você já deu o próximo passo. E eu ainda te espero.
Mas você cresceu. Teu lugar já não é aqui, dentro do meu peito.

Voa alto. Você merece o mundo.
Emana tua luz. Carrega tua força.
ai se eu ainda pudesse.

Vai,
Menino do sorriso encantador.
Seu papel nessa história acabou.
Você já é protagonista de outra vida.

Dói fundo. Me faltar o ar.
Mas a hora é certa,
Segue tua vida.
Amor de toda a minha.

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quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

Divagando em pensamentos

Hoje eu quis escrever. Não um poema, um conto, nem nada bonito ou melancólico. Apenas quero escrever sobre a vida, quero um dia ler essas linhas e voar longe em pensamentos.
Tem uma frase que não canso de repetir 'a vida é engraçada', nem sempre literalmente, mas ela é!
Nos bate na cara e nos mostra que nada era como pensávamos. Nos mostra de que nada adianta todo aquele planejamento, ela tem seu próprio curso, ela segue seu rumo, deixa sua própria correnteza a levar. E ela apenas segue, independente se estamos bem ou preparados para continuar, ela apenas flui e nos carrega. E cabe a nos, apenas decidir se vamos contra ou a favor da corrente.

Com o passar dos anos eu percebi que tantas coisas que orgulhava em berrar por ai, coisas eu dizia que jamais iria fazer. Eu fiz, e refiz inúmeras vezes. Não somos imunes a NADA e nenhuma verdade é absoluta, estamos em constante mudança, constante crescimento e provavelmente hoje, não somos mais as pessoas que éramos duas semanas atrás. A vida ensina e como ensina.
Mas mesmo com todos esses obstáculos, essas lições que arduamente enfrentamos. Ou todas as vezes que levantamos depois de uma rasteira daquela, digna de dar com a cara no chão, mesmo depois de nos reerguer, nos pegamos inúmeras vezes pensando 'o que estou fazendo da minha vida?', e se você sabe responder isso, Parabéns! Talvez esteja no caminho certo, mas te digo, eu não sei!

Meio em tom de piada costumo dizer que não me conformo que farei 29 anos, é inevitável pensar 'quem sou eu na fila do pão? o que eu tenho? o que eu fiz de memorável até hoje? o que construí? o que deixarei como legado?'. É assustador! Juro, é mesmo. Bem mais do que parece.
A vida 'voa', os anos se atropelam, e não sou mais aquela menina dos joelhos esfolados andando de bicicleta naquela rua que tem nome de cidade. Não tenho mais aqueles sonhos inocentes e perfeitos. Trago comigo cicatrizes, ensinamentos, lembranças, saudades. Ahh a saudade, ela me maltrata vez ou outra, me faz viajar em lembranças, me faz suspirar, penar, lamentar. Já caminhei muito até chegar aqui, e ainda assim, não sei qual caminho seguir. Não é fácil. Não é obvio.

A vida surpreende, leva pessoas embora, traz de volta algumas que pensamos que ficariam no passado. Eu não sei do amanhã, ás vezes me dá um frio na espinha em perceber isso. Perceber que talvez ainda não saiba de praticamente nada da vida. E que talvez nunca chegue a saber! Mas viver é uma caixinha de surpresas. Não tem um roteiro ou manual, é como um jogo com regras confusas, e com peças que mudam de posição e importância a todo momento. Eu ainda não descobri como se vence esse jogo nem se existe alguma forma possível de vencer, por enquanto tô aqui. Seguindo o fluxo. Indo, vivendo, vendo, sofrendo, sonhando, divagando ou sei lá. Apenas sobrevivendo a essa loucura toda. A esse misto de riso e frio na barriga!

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